segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Palmeiras perde cabeça e clássico para o Timão e afunda na tabela


Mais que um jogo. Palmeiras x Corinthians costuma ser um campeonato à parte. O vencedor volta para casa com sabor de título na boca. O perdedor quer sumir. E, neste domingo, o Timão deixou o Pacaembu com a sensação de ter empurrado ainda mais o Verdão na ladeira rumo à Segunda Divisão. Uma ladeira que parece cada vez mais íngreme. Difícil de subir...
A vitória por 2 a 0 foi técnica, tática, mas, principalmente, moral. O Corinthians, que nada quer no Campeonato Brasileiro, além de uma participação que honre o fato de ser o atual campeão, se comportava tranquilamente, mas foi instigado a vencer pela reação desequilibrada de Luan no gol de Romarinho, que comemorou em frente à torcida alviverde. Uma torcida que cantou e vibrou enquanto foi possível, mas depois sucumbiu e xingou no primeiro jogo após a demissão de Luiz Felipe Scolari. Se a permanência do interino Narciso dependia só do resultado, a diretoria terá de procurar um novo comandante.
Com um jogador a mais desde os 25 minutos do primeiro tempo, o Timão, que já é mais time, inegavelmente, não teve maiores dificuldades em somar mais uma vitória e chegar a 35 pontos, na nona colocação, e já pensando no Mundial de Clubes, em dezembro. E qual é o rumo do Verdão? Com 20 pontos, só não é o último colocado do Brasileirão porque tem uma vitória a mais que o Atlético-GO. É difícil imaginar o Palmeiras na Série A em 2013. O que foi apresentado nas 25 rodadas é pouquíssimo diante do que precisa ser feito nas 13 restantes.
No próximo sábado, o confronto do time que, por enquanto, é comandado por Narciso, será contra o Figueirense, rival na fuga do rebaixamento, no Orlando Scarpelli. Já o Corinthians, domingo, no Engenhão, joga contra o Botafogo, no Engenhão.
Douglas e Marcos Assunção, Palmeiras x Corinthians (Foto: Marcos Ribolli / Globoesporte.com)
Tensão, confusão e Romarinho
Uma camisa linda, um bigode nem tão lindo assim no rosto de Valdivia, um técnico novo com óculos de grau no lugar dos habituais óculos de sol. O Palmeiras apostou em vida nova, com tudo diferente após a saída de Luiz Felipe Scolari. Só o futebol não era novo. E o que dizer dos nervos? Tudo parecia sob controle, com a equipe trocando bolas e até chegando ao gol de Cássio, apesar de nenhuma jogada assim tão perigosa.
Perigo mesmo levou o Corinthians com a cabeçada de Paulinho após cruzamento de Danilo, pasmem, com o pé direito! O ritmo do Timão era mais lento, mas o que será que tem esse Romarinho? O cara que havia acabado de chegar quando enfrentou o Palmeiras no primeiro turno e fez dois gols. O cara que foi à Bombonera dar o primeiro passo para o título da Libertadores. O cara que estava há oito jogos sem marcar... Que estrela!
Após belo passe de Douglas para Martínez, Maurício Ramos conseguiu o desarme, mas Juninho não se deu conta de que estava num campeonato à parte. Tentou sair da área de cabeça baixa e, quando olhou para frente, Romarinho já havia roubado a bola e feito o gol. Já devia estar comemorando em frente à torcida... do Palmeiras! Ele jura que se confundiu, pois normalmente quem fica ali no Pacaembu são os corintianos. Verdade ou não, a reação descabida de Luan e companhia provocou o cartão amarelo ao autor do gol.
Foi um dos atos de Marcelo Aparecido de Souza, árbitro que fez jus ao nome. Ele não deu cartão amarelo a Luan por causar uma confusão generalizada, mas já havia dado antes por achar que o atacante do Palmeiras tentou simular um pênalti. Logo em seguida, quando Narciso já preparava Maikon Leite para substituir o jogador, visivelmente nervoso, o árbitro disse que viu um chute de Luan em Guilherme Andrade e o expulsou.
Na sequência, um chute perigoso de Barcos e cartões a rodo: o Pirata, Martínez, Cássio, Artur... E o fim de 45 minutos em que a tensão exalou no Pacaembu com a promessa de Valdivia para Romarinho:
- Ele vai ver depois...
Romarinho comemoração, Palmeiras x Corinthians (Foto: Marcos Ribolli / Globoesporte.com)
Nocaute corintiano
- Vou entrar para jogar bola, não para tirar alguém.
Jorge Henrique, famoso provocador, eleito jogador mais chato do Campeonato Brasileiro pelos atletas em pesquisa realizada pelo GLOBOESPORTE.COM em parceria com a revista "Monet", ouviu de Tite a instrução para pensar apenas em futebol. E com três minutos já obedeceu: de calcanhar, deixou Romarinho na cara do gol, mas o carrasco isolou.
Com um jogador a mais e muito mais organizado, o Corinthians resolveu marcar no campo de ataque, uma de suas principais características. Não demorou muito para que Danilo roubasse de João Vitor e iniciasse o contra-ataque que passou por Romarinho, pelo pé direito de Douglas e pela cabeça de Paulinho antes de terminar na rede de Bruno. Um gol que levou a torcida alviverde ao desespero.
A imagem de São Marcos e do gerente de futebol César Sampaio nas tribunas dizia muito sobre a situação do Verdão. Ídolos que tanto fizeram pelo clube dentro de campo, agora impotentes diante de uma equipe nervosa e que vê o fundo do poço cada vez mais próximo.
Palmeiras x Corinthians (Foto: Marcos Ribolli / Globoesporte.com)
A sensação de que o placar era irreversível diminuiu o nervosismo, apesar de lances como a voadora de Juninho em Romarinho e a dura entrada de Danilo no tenso Maurício Ramos. O Corinthians diminuiu novamente o ritmo, pareceu querer evitar problemas. O Palmeiras melhorou com as entradas de Obina e, principalmente, Tiago Real. O meia, que veio do Joinville, deu um banho de lucidez e qualidade nos companheiros que já estavam em campo.
Foi seu, por exemplo, o lançamento para Artur, que ajeitou de cabeça para Valdivia. O chileno, titular, badalado, perdeu um gol incrível. Seria o seu primeiro no Brasileirão... Antes, ele havia exigido de Cássio a defesa mais difícil da partida em chute de longe.
Os cartões continuaram a aparecer. Guilherme Andrade, Obina e Fábio Santos, que ganhou a faixa de capitão como presente pelo aniversário de 27 anos, foram os agraciados da vez. A arbitragem também continuou a aparecer. Mal. O assistente Rogério Zanardo marcou falta de Obina em Paulo André, mas logo abaixou a bandeira e o árbitro deixou seguir o lance até a conclusão de Valdivia para o gol. A torcida chegou a comemorar antes que Aparecido consultasse o parceiro, voltasse atrás e marcasse a falta.
Já o futebol parou de aparecer, de ambos os lados. O "título" do dia é alvinegro. O desespero é alviverde. Neste e nos próximos domingos.
Paulinho, Comemoração, Palmeiras x Corinthians (Foto: Marcos Ribolli / Globoesporte.com)


APÓS VITÓRIA NO CLÁSSICO, CORINTIANOS DESTACAM SUPERIORIDADE E EVITAM PROVOCAR PALMEIRAS

A vitória do Corinthians sobre o Palmeiras, por 2 a 0, em jogo válido pelo Campeonato Brasileiro, quase ficou em segundo plano na tarde deste domingo. Após a partida, os jogadores corintianos foram bombardeados, ainda no gramado do Pacaembu, com perguntas sobre a situação do rival, que está na vice-lanterna da competição. Porém, os atletas alvinegros preferiram evitar qualquer tipo de provocação e focaram as declarações apenas no triunfo conquistado. 
'Independente da situação do Palmeiras, trata-se de um clássico, um jogo muito disputado, difícil. Deu uma equilibrada depois do seguindo gol. Jogamos com nossa responsabilidade, independente de tudo. Claro que é muito difícil estar nessa situação do Palmeiras. Mas estamos defendendo o Corinthians', disse o volante Paulinho, autor do segundo gol corintiano neste domingo. 
Quem 'ignorou' a situação do rival e preferiu apenas valorizar a vitória do Corinthians foi o também volante Ralf. De acordo com o camisa 5, a atuação dá moral para as próximas rodadas.
'Fizemos por merecer. Não temos nada a ver com a situação do Palmeiras. Independente da situação do Palmeiras, a vitória nos dá muita moral para o próximo jogo, contra o Botafogo', comentou. 
O Corinthians volta a campo apenas no próximo domingo, quando enfrenta o Botafogo, no Engenhão, às 16 horas (de Brasília).

CONFUSÃO: APÓS OFENSA A ROMARINHO, SEGURANÇAS DO TIMÃO E PALMEIRAS SE DESENTENDEM


O clima continuou quente fora de campo após a vitória do Corinthians por 2 a 0 sobre o Palmeiras, neste domingo, no Pacaembu, pelo Campeonato Brasileiro. Seguranças dos dois clubes trocaram empurrões depois que um torcedor alviverde ofendeu o atacante Romarinho, um dos heróis do triunfo do Timão.
Último a deixar os vestiários, o atacante se dirigia ao ônibus da delegação corintiana quando um palmeirense passou a ofendê-lo. Seguranças contratados pelo Corinthians tentaram conter o torcedor e se desentenderam com profissionais que faziam a proteção para o Palmeiras.
Depois de algumas ofensas, outros seguranças acabaram com a confusão, e o jogador seguiu para o ônibus que levou a delegação novamente para o CT Joaquim Grava, localizado na rodovia Ayrton Senna, quase divisa com Guarulhos.
Ao marcar o primeiro gol do Timão, Romarinho comemorou em frente à torcida do Palmeiras e irritou o atacante Luan, do Palmeiras. O jogador precisou ser contido por companheiros e acabou em seguida após uma dividida com Guilherme Andrade.

domingo, 16 de setembro de 2012

Timão relaciona 18 jogadores para o clássico contra Verdão. Veja a lista


Jorge Henrique Corinthians (Foto: Daniel Augusto Jr. / Agência Corinthians)O técnico Tite relacionou 18 jogadores para o clássico contra o Palmeiras, neste domingo, às 16h, no Pacaembu, pelo Campeonato Brasileiro. O atacante Emerson Sheik seria o 19º, mas o STJD concedeu apenas um efeito suspensivo parcial sobre sua punição, o que o impede de atuar no clássico.

Assim, Martinez seria titular, ao lado de Romarinho. Adilson e Jorge Henrique ficam como opções para o setor ofensivo no banco de reservas.

Na defesa, o técnico Tite não tem substitutos para os laterais Guilherme Andrade e Fábio Santos. Se necessário, o treinador terá de improvisar o volante Edenílson, já que Alessandro está suspenso pelo terceiro cartão amarelo.
O zagueiro Anderson Polga, contratado na semana passada, ainda não foi convocado. O jogador permanece realizando trabalhos para recuperar a forma física e não tem previsão de estreia. Com Wallace alçado a titular pela cirurgia de hérnia inguinal de Chicão, o garoto Antônio Carlos acabou chamado.
Confira a lista de relacionados:

Goleiros: Cássio e Danilo Fernandes
Laterais: Guilherme Andrade e Fábio Santos
Zagueiros: Paulo André, Wallace e Antônio Carlos
Volantes: Ralf, Paulinho, Guilherme e Edenílson
Meias: Douglas, Danilo e Giovanni
Atacantes: Romarinho, Martinez, Adilson e Jorge Henrique

Tite 'herda' lugar de Felipão e brinca: 'Não quero ser o próximo da lista'


tite corinthians (Foto: Marcos Ribolli/GLOBOESPORTE.COM)Apesar de já não serem tão amigos como antigamente, as carreiras de Adenor Leonardo Bacchi e Luiz Felipe Scolariseguem ligadas indiretamente. Com a saída de Felipão do Palmeiras, Tite se transformou no técnico que há mais tempo está no comando de uma equipe entre os clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro.
Apesar do “título” representar a confiança da diretoria e o bom trabalho que vem fazendo no Timão - foi campeão nacional e da Libertadores - , o treinador faz piada com a situação.
- Não tem ninguém na frente, não? Não quero ser o próximo da lista (de demitidos). Passa batido, segue o baile (risos) – brincou.
Campeão da Copa do Brasil, Scolari estava no Palmeiras desde 15 de julho de 2010, mas não resistiu às seguidas derrotas no Brasileirão e foi demitido na última quinta-feira. Tite chegou ao Timão 20 de outubro do mesmo ano, assumindo o lugar de Adilson Batista.
Somando a primeira passagem, entre 2004 e 2005, ele está a quatro jogos de se tornar o quinto técnico que mais vezes dirigiu o Timão. São 181 contra 185 de Mano Menezes. Neste período, foram 91 vitórias, 51 empates e 37 derrotas, aproveitamento de 60,77% dos pontos disputados.

Meigo e sensível', DJ Gobbi revela como Corinthians mudou sua vida


"Preciso acabar logo com isto... Preciso lembrar que eu existo..."
São os versos de Roberto e Erasmo Carlos que recebem Mário Gobbi logo pela manhã na sala da presidência do Corinthians desde fevereiro, quando a vitória na eleição mudou a sua vida.
Não é maneira de dizer. Mudou mesmo. Católico fervoroso, Gobbi tem em sua sala um quadro de Jesus Cristo. Sobre a mesa, imagens de São Jorge, Nossa Senhora de Fátima, Nossa Senhora de Aparecida e São José. Eleito presidente, além das missas aos domingos, passou a frequentar diariamente a igreja de Fátima, próxima à sua casa. Lá, reza por ele, jogadores, comissão técnica, dirigentes, sócios e torcedores do Corinthians.
- Peço sabedoria, humildade e discernimento. Não piso no Corinthians sem ir à Fátima - diz o dirigente, que, quando viaja com a delegação, pede que o segurança encontre a igreja mais próxima ao hotel e repete o ato, porém, acompanhado pelo técnico Tite.
A rotina caseira de Mário Gobbi também mudou. Aos 51 anos, não assiste mais a nenhum programa esportivo na televisão, não lê jornais, não navega na internet... Limita-se a filmes, noticiários gerais e, para fugir das críticas, abandonou até o rádio, paixão tão intensa desde a adolescência, que o levou a sonhar ser DJ.
- Eu queria ser disc-jóquei. Era assim que se chamava na minha época. Sou homem do rádio, amante do rádio, mas me decepcionei tanto com algumas coisas que não ouço mais.
Mosaico, Mario Gobbi (Foto: Editoria de Arte / Globoesporte.com)Gobbi recebeu a reportagem em sua sala no clube (Fotos: Marcos Ribolli / Globoesporte.com)
O cargo só não alterou a intensa relação de Gobbi com a música. Companheira não só do início do dia, mas também dos melhores momentos de sua história, como na época da Discotheque, quando ensaiava passos de John Travolta para brilhar nos embalos de sábado à noite em Jaú, sua cidade natal, quanto dos piores, quando subia a Avenida Brigadeiro Luiz Antônio, em São Paulo, com lágrimas de saudade da família nos olhos e trechos de "Maria Maria" na ponta da língua: "é preciso ter força, é preciso ter raça...".
Vivi intensamente o Corinthians. E, na época (anos 60), se não dava Palmeiras, dava Santos, ou Botafogo, em nível nacional. As gozações eram as mais terríveis possíveis, mas isso só me fazia ser ainda mais corintiano"
Mário Gobbi
Mário Gobbi Filho recebeu o GLOBOESPORTE.COM e, durante pouco mais de duas horas, revelou toda sua trajetória até chegar à cadeira presidencial do Timão "pelas mãos de Deus". O lado religioso, forte demais, tem grande parcela de responsabilidade do pai, que se formou padre, mas não exerceu. Na verdade, o seminário era uma fuga das dificuldades financeiras.
- Meu avô perdeu tudo na crise de 30, do café, e quem ia ao seminário tinha casa, comida, estudos... Foi uma solução que encontraram na época.
Seu Mário, o pai, não atuou como padre e nem como palmeirense, para sorte do filho. A decepção pelo Palestra Itália passar a se chamar Palmeiras, após decreto durante a Segunda Guerra Mundial que vetava expressões de língua italiana em entidades, fez com que ele torcesse apenas pela seleção brasileira. Portas abertas para o tio Gerson, de quem ele fala com carinho indescritível, que morava em São Paulo e apresentou ao sobrinho dois amores eternos: a capital paulista e o Timão.
Corintiano fanático como o tio, Mário Gobbi passou infância e adolescência perto do time, seja no interior ou nos jogos no Pacaembu, quando frequentava a casa de Gerson.
- Vivi intensamente o Corinthians. E, na época, se não dava Palmeiras, dava Santos, ou Botafogo em nível nacional. As gozações eram as mais terríveis possíveis, mas isso só me fazia ser ainda mais corintiano porque eu cresço muito nas adversidades, me transformo.
Mario Gobbi filho do presidente do Corinthians (Foto: Marcos Ribolli / Globoesporte.com)Mário Gobbi tem orgulho de sua religiosidade (Foto: Marcos Ribolli / Globoesporte.com)
A cidade de São Paulo também se mostrava atraente demais ao jovem que jogava bolinhas de gude, futebol e rodava pião pelas ruas do interior. Tanto que, mesmo namorando, ele não conseguia esconder o interesse por Alessandra, menina que havia se mudado de Jaú para a capital, mas sempre voltava para passar as férias. Num desses períodos, na saída da missa, ela o convidou para seu aniversário de 18 anos. Mário disse "sim" ao convite, é claro. Anos depois, ambos diriam "sim" no casamento, que dura até hoje.
Quando conseguíamos fazer os passos do Travolta era demais!"
Mário Gobbi
O "sim" a Alessandra colocou a canção "Heaven must be missing an angel", de Tavares, definitivamente na vida do presidente do Corinthians. É a trilha sonora do namoro. Até hoje eles assistem ao DVD com a apresentação do grupo. Mas a música já norteava a vida do garoto que tocava caixa na banda de Jaú e, desde os 15 anos, foi completamente seduzido pelo fenômeno mundial da Discotheque.
Os encontros nas discotecas nos finais de semanas eram sagrados, assim como a presença nos concursos de dança. Gobbi jura que não se arriscava, mas, para ele, o cenário de luzes, corpos e música era como a visão do paraíso.
- Foram os melhores anos da minha vida. E durante a semana nós ensaiávamos na casa de uma amiga porque não podíamos fazer um papelão na discoteca. Quando conseguíamos fazer os passos do Travolta era demais! Eu só fazia o trivial, mas adorava ver as luzes girando e todo mundo dançando. É um visual único, romântico.
mario gobbi filho corinthians presidente entrevista (Foto: Marcos Ribolli / Globoesporte.com)Gobbi é filho de palestrino, mas preferiu seguir o tio corintiano (Foto: Marcos Ribolli / Globoesporte.com)

Visual que se transformou em 1979, ano em que Gobbi se mudou para a casa do tio, em São Paulo, e passou a trabalhar no escritório de advocacia do primo. As luzes da discoteca se transformaram no céu cinzento do trajeto "casa-trabalho-casa-cursinho" percorrido diariamente. Em comum, só a música.
- Eu sentia muita solidão. Andei muito pelas ruas de São Paulo, chorando de saudade dos amigos, pai, mãe, irmã... Subia a Brigadeiro com a música do Milton Nascimento, mas cresci muito. Sempre mergulhei muito nas músicas porque elas levam a Deus.
Cada frase e relato de Mário Gobbi revelam traços de sua personalidade que ele assume com orgulho. Durante a entrevista, o presidente se definiu como dócil, meigo, sensível e romântico. Características que não se perderam nem mesmo depois que ele passou no concurso para se tornar delegado de polícia. Segundo ele, mais uma obra divina. Apenas por um ano ele foi plantonista no 91º Distrito Policial. Não passou por nenhuma situação de risco e aproveitou para fazer trabalho social para curar a frustração de ver miseráveis e não poder fazer nada.
Apaixonado por presidir inquéritos policiais, ele passou a trabalhar na Secretaria da Justiça, levado por Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, advogado de quem até hoje diz ser cria. Mas foi em outro trabalho, na assessoria do diretor-geral do Detran, que o Corinthians deixou de ser uma paixão para se tornar a obrigação de Mário Gobbi. Foi lá que ele conheceu o ex-presidente Wadih Helu, que notou seu interesse e conhecimento da história alvinegra e passou a inseri-lo cada vez mais no clube.
A oposição a Dualib e a pérola na montanha
Mano Menezes e Mário Gobbi Corinthians (Foto: Diego Ribeiro / GLOBOESPORTE.COM)Mano Menezes, 'mentor' de Mário Gobbi no futebol,
em 2010 (Foto: Diego Ribeiro / globoesporte.com)
Em 2000, Gobbi ganhou do amigo José Maria Pereira Rio o título de sócio remido do Corinthians, necessário para se tornar conselheiro vitalício, o que ocorreu dois anos depois e o credenciou a almejar cargos relevantes. Irritado pelo "padrinho" Helu não retirar o apoio ao então presidente Alberto Dualib, Gobbi passou a ser oposição e, ao lado de Andrés Sanches, entre outros, ajudou a criar o grupo que hoje administra o clube.
- O Andrés ganhou a presidência e me chamou para ser diretor de futebol. Eu falei que iríamos ouvir minha esposa, porque num cargo desses você abre mão de uma série de coisas. Se ela não fechar junto, você não consegue. Tomamos um uísque, que ele gosta, fomos jantar e ela disse: "Mário, vai que você vai se dar bem". Resolvi encarar a voz dela como se fosse a voz de Deus.
O meigo Mário Gobbi só tinha um problema nas mãos: não conhecia praticamente nada de futebol. Por isso, segundo ele mesmo conta, passou os primeiros seis meses do cargo calado e teve dois excelentes professores: Antonio Carlos, hoje técnico do Audax, e Mano Menezes, agora na seleção brasileira.
O sucesso na função o levou à presidência. De sócio a principal homem do clube em apenas dez anos, trajetória que ele considera "meteórica" e teve seu auge com o título da Taça Libertadores. Em 2010, na diretoria de futebol, Gobbi discursou aos jogadores, no primeiro dia da pré-temporada, que no ano do centenário havia uma pérola muito rara para ser alcançada sobre a montanha. A pérola era a Libertadores, mas a derrota para o Flamengo nas oitavas de final brecou a escalada. O topo da montanha chegaria em 2012, assim como a comprovação de que o discurso havia marcado o coração dos atletas.
Corinthians campeão da Libertadores (Foto: AFP)Gobbi, de azul, com o Corinthians campeão da
Libertadores: a pérola na montanha (Foto: AFP)
- Como muitos jogadores daquela época continuam no Corinthians, agora quando eu me apresentei como presidente, eles vieram me dizer: "Seu Mário, vamos buscar aquela pérola". E para o Mundial eu já estou pensando em passar alguma mensagem a eles. Acho muito importante lidar com esse lado emocional - revelou.
Mário administra o futebol corintiano baseado na "política de prevenção". O volante Paulinho é o exemplo mais claro. Preparado para substituir Elias, é notório que ele não deverá ficar muito tempo no futebol brasileiro. Por isso, o presidente já buscou Guilherme na Portuguesa. Seu lema é não fazer mais de uma alteração por posição no grupo de uma competição para a outra.
Posso te garantir que nem se eu reencarnasse mais 100 mil vezes, voltarei a ser presidente do Corinthians"
Mário Gobbi
Sua grande preocupação na função é a parte de gestão. Segundo ele, apesar dos avanços obtidos no mandato de Andrés Sanches, ainda há muita coisa para melhorar. A atenção aos esportes olímpicos e ao maior equilíbrio entre receitas e despesas, além do novo estatuto, são exemplos de modificações consideradas necessárias.
Fato é que, depois do início de 2015, quando terminar o mandato à frente do Corinthians, Mário Gobbi não tem mais pretensões políticas. Vai retirar seus pertences da ampla sala. Entre eles, uma carta escrita pela mãe, Marlene, ao tio Gerson em janeiro de 1979, quando o filho se mudou para São Paulo. Palavras emocionadas de uma mãe preocupada, mas esperançosa no futuro de seu tesouro: "O meu coração de mãe diz que tudo dará certo. E toda mãe conhece o filho que tem, suas virtudes, seus defeitos. E eu boto uma fé danada nele", diz trecho da correspondência que está enquadrada na parede.
Encerrado o mandato, Gobbi voltará para sua casa, colocará a mochila no banco de trás do carro e sairá em viagem com Alessandra. Vai aproveitar a vida, obssessão tão grande que levou o casal a optar por não ter filhos. Para eles, uma criança exigiria uma criação com regalias e atenção que acabaria os impedindo de curtir a boa vida.
Católico, mas respeitoso a todas as religiões, Mário admite que poderá ter, na próxima encarnação, a missão de ser pai. Mas também usa o espiritismo para mostrar o fardo que é comandar um dos maiores clubes do país:
- Posso te garantir que nem se eu reencarnasse mais 100 mil vezes, voltarei a ser presidente do Corinthians (risos).
Mario Gobbi filho do presidente do Corinthians (Foto: Marcos Ribolli / Globoesporte.com)

'Reserva por um dia', Messi quebra recorde anual de gols. Em setembro!


Se há quem insista que Lionel Messi não deve ser eleito o melhor do mundo em 2012 por não ter conquistado os maiores títulos possíveis, o astro busca outros caminhos para repetir a marca. Reserva por um dia no último sábado, o camisa 10 atuou por menos tempo que o habitual, mas ainda assim marcou duas vezes na vitória sobre o Getafe, por 4 a 1, pelo Campeonato Espanhol. E, talvez até sem saber, quebrou o seu próprio recorde anual de gols por Barcelona e Argentina ao chegar aos 61 em 46 partidas, além das 16 assistências - a antiga marca era de 60 anotados em 2010, quando recebeu a Bola de Ouro pela segunda vez.
Lionel Messi Barcelona Getafe (Foto: Reuters)
O fato chama a atenção por estarmos ainda em meados de setembro. Até a virada do ano, em um calendário repleto, Messi poderá defender seu time e a seleção mais 24 vezes, muito provavelmente tornando a marca quase impossível de ser superada por outro concorrente, até mesmo Cristiano Ronaldo, que soma 44 gols em 49 jogos com Real Madrid e Portugal. São seis jogos da fase de grupos da Liga dos Campeões, 13 do Campeonato Espanhol, dois da Copa do Rei e três com a Argentina - eliminatórias para a Copa de 2014 e amistoso.
Proporcionalmente, o rendimento entre país e clube tem sido mais equiparado em relação às épocas passadas. Desde janeiro, Messi defendeu a seleção em nove oportunidades. Foram nove gols, três deles contra o Brasil, em amistoso disputado em junho, nos Estados Unidos - em 2010, ano da Copa do Mundo, por exemplo, ele anotou apenas dois gols. Pelo Barça, o craque já tem 52 comemorações em 37 oportunidades em 2012.
Especialista em 'dobletes'
Lionel Messi Barcelona Getafe (Foto: AP)
Artilheiro da liga espanhola, Messi também assinou outra marca. Com seis gols, ele é o primeiro jogador a ter três "dobletes" (dois gols num só jogo) em quatro rodadas desde o chileno Iván Zamorano, em grande fase com o Real Madrid em 1994/1995.
Messi terá nova chance para aumentar o recorde na próxima quarta-feira, quando o Barcelona receberá o Spartak Moscou pela abertura do Grupo G da Liga dos Campeões, às 15h45m (de Brasília). E certamente como titular, já que o técnico Tito Vilanova optou por descansar o seu maior craque neste sábado.
- Falei com ele que começaria na reserva. Eram muitos jogos duros e com uma pré-temporada forte. Chegou de uma viagem com sua seleção e até poderia ter jogado de início, mas pensei em função dos mais descansados e em colocá-lo com o jogo mais aberto - alegou Tito.
Com 12 pontos, o Barcelona lidera o Campeonato Espanhol com folga em relação ao arquirrival Real Madrid, apenas o 12º colocado, com quatro pontos. O vice-líder é o Málaga, com 10, seguido do Sevilla, com oito. No próximo fim de semana, a equipe catalã receberá o Granada, atual 18º, no Camp Nou.

Messi entra na etapa final, marca duas vezes, e Barcelona segue 100%


O jogo estava morno, a vitória era magra. Mas bastou Lionel Messi entrar em campo para o Barcelona deslanchar e garantir mais três pontos na tabela de classificação do Campeonato Espanhol. Neste sábado, com dois gols do argentino, que atuou apenas 36 minutos, o time culé venceu o Getafe por 4 a 1, fora de casa, e se manteve na liderança da competição com 100% de aproveitamento. O brasileiro Adriano e o espanhol David Villa completaram a goleada. Sarabia descontou.
Com o resultado, o Barcelona chegou aos 12 pontos em quatro partidas. Na próxima quarta-feira, o time culé vai estrear na Liga dos Campeões, contra o Spartak de Moscou, no Camp Nou. Pelo Espanhol, o próximo desafio será diante do Granada, no dia 23.
Vale lembrar que esse foi o segundo gol de Adriano em duas partidas consecutivas pelo Barcelona. Na rodada passada, na vitória por 1 a 0 sobre o Valencia, o lateral-esquerdo também balançou a rede no triunfo catalão. E foi justamente por conta do jogo da Liga dos Campeões que Tito Villanova poupou vários titulares. Além de Messi, atletas que costumam figurar no time principal ficaram entre os suplentes, entre eles o brasileiro Daniel Alves.
Messi comemora gol contra o Getafe (Foto: Agência Reuters)
Brasileiros têm boa atuação no primeiro tempo, e Adriano marca
Adriano Correa, Getafe e Barcelona (Foto: Agência AFP)
Após os amistosos internacionais e os jogos das eliminatórias para a Copa do Mundo de 2014, o técnico Tito Villanova decidiu poupar dois dos seus principais jogadores. Lionel Messi e Daniel Alves iniciaram o confronto no banco de reservas. Fato raro na carreira do argentino. A última vez que o camisa 10 do time catalão iniciou uma partida entre os suplentes foi no dia 10 de setembro de 2011.
Sem Messi, Daniel Alves e Iniesta, que com uma distensão muscular na perna direita foi vetado do confronto, o Barcelona sentiu dificuldades para chegar ao gol do Getafe. Com Xavi como maestro, o time não conseguia furar o bloqueio defensivo do adversário. Para se ter ideia, a primeira chance clara do time catalão aconteceu apenas aos 24 minutos. Thiago Alcântara rompeu pela intermediária, passou por dois rivais e finalizou no travessão.
Com tal cenário, apenas uma jogada individual poderia resolver a favor do Barça. E foi justamente isso que aconteceu aos 31 minutos. Fàbregas partiu da intermediária, invadiu a área e passou por um adversário. Antes de finalizar, a bola sobrou para Adriano, que bateu cruzado para vencer Moyá. A partir daí, o time catalão ficou mais sossegado para imprimir o seu estilo de posse de bola.
Adriano e Thiago Alcântara eram os destaques da equipe. Tanto que o filho de Mazinho quase marcou o segundo após belo lançamento do lateral-esquerdo. Aos 33, o apoiador dominou o lançamento e bateu de primeira para defesa de Moyá. Quase o segundo gol dos visitantes. Após o fim da etapa inicial, no banco de reservas, Messi, Villa e Daniel Alves eram apenas sorrisos na saída para o vestiário.
Barça perde Puyol, e Messi marca duas vezes no segundo tempo
Fabregas, Getafe x Barcelona (Foto: Agência Reuters)
Na volta para o segundo tempo, o Barcelona seguiu tendo dificuldades para furar a defesa rival. O primeiro lance de perigo aconteceu aos nove. Tello recebeu passe de Xavi na entrada da área e bateu colocado. A bola passou rente à trave de Moyá. No minuto seguinte, Puyol tentou roubar a bola de um adversário e acabou sentindo um problema no joelho. O jogador deixou o campo e para a entrada de Mascherano.
A contusão do jogador se transformou em motivo de preocupação para a estreia na Liga dos Campeões. Iniesta já está vetado para o confronto diante dos russos. Aos 13, o que todos os torcedores do Barcelona esperavam. Messi entrou em campo na vaga de Thiago Alcântara, que vinha tendo atuação destacada.
A entrada do jogador mudou visivelmente o panorama do jogo. O Barcelona passou a ser mais agudo. E logo em sua primeira jogada, o argentino foi derrubado dentro da área por Miguel Lucas. O árbitro Teixeira Vitienes não percebeu o toque do defensor e assinalou apenas o escanteio. O atacante culé reclamou pela não marcação da falta.
Seis minutos depois, Pedro foi quem fez a jogada dentro da área e acabou derrubado por Valera. Desta vez, sem pensar duas vezes, o árbitro assinalou a penalidade. Messi cobrou com categoria e fez o segundo do Barça na partida, o seu quarto no Campeonato Espanhol. Não demorou ao argentino marcar mais um. Aos 33, Montoya cruzou da esquerda e o craque só teve o trabalho de escorar para a rede.
Aos 34, o Getafe ainda diminuiu a diferença. Sarabia recebeu pelo lado direito da grande área e finalizou. A bola desviou em Adriano e Mascherano e enganou Valdés, que nada pôde fazer. No fim, Villa recebeu ótimo lançamento de Fàbregas e tocou na saída de Moyá. Festa cule

Com lesão no joelho, Puyol ficará no 'estaleiro' por até seis semanas


Puyol, Barcelona (Foto: Getty Images)O zagueiro Carles Puyol vai ficar fora dos gramados de quatro a seis semanas. A informação foi confirmada pelo departamento médico do Barcelona. Neste sábado, o capitão do time culé sofreu um estiramento no ligamento cruzado posterior do joelho esquerdo durante a disputa de um lance na vitória da equipe catalã por 4 a 1 sobre o Getafe, pelo Campeonato Espanhol.
Puyol deixou o gramado mancando e foi aplaudido até mesmo pelos torcedores rivais. O argentino Javier Mascherano entrou em seu lugar. Por conta do problema, Puyol já está fora da partida da próxima quarta-feira, contra o Spartak de Moscou, na estréia do Barcelona na Liga dos Campeões. Além disso, as chances são grandes de o atleta não participar do clássico contra o Real Madrid, no dia 7 de outubro.
Esse é o segundo problema de contusão de Puyol na atual temporada. Durante a pré-temporada, em Pamplona, o jogador sofreu uma pancada no rosto e passou a atuar com uma máscara para proteger o local.
O Barcelona é o líder do Campeonato Espanhol, com 12 pontos, oito a mais do que o rival Real Madrid. A equipe tem 100% de aproveitamento na competição.